Artistas em Alvalade #1 - Paulo Romão Brás.

Talvez porque o conheço bem sei que o processo criativo do Paulo é feito quase com um rigor e respeito de um ritual religioso. Apanha pedaços de memórias aqui e ali, nos depósitos, naquilo que deixamos à porta, nas suas próprias gavetas. Quando isso passa a ser seu, as fotografias perdidas, as revistas antigas, tudo é guardado com método, embrulhado em papel para proteger da luz e do pó, entalado em livros para perder as rugas. Quase que sagrados, direitos, esticados. Para mim, a intervenção dele começa logo aí. De objectos perdidos para as mãos dele voltam a ganhar dignidade. E depois são reconstruídos, manipulados, com as mãos sempre, o processo é físico e não se passa algures numa imaginação digital. O que contava uma história passa a contar outra, a do Paulo, a nossa, porque na percepção que os outros têm de nós também somos pedaços de memória recauchutados.

Há cerca de dois meses que faz tudo isto no seu atelier do Bairro das Estacas, uma pequena loja, debaixo dos pilotis, agora ocupada por ele, Paulo Romão Brás e pelo Bruno Pereira. Olhando para as outras lojas vazias, gosto de pensar que o Paulo e o Bruno são os primeiros a chegar e que outros, como eles, virão. 

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PAULO ROMÃO BRÁS, nasceu em Portalegre em 1968. Trabalha e vive em Lisboa com a Alda e a filha Carolina.

A sua obra foi mostrada em exposições individuais, de onde se destacam I Love You, Oh, You Pay My Rent / Rogue Space Gallery (Chelsea), New York (2012), Labirinto, Espaço3, C.C. Alegro, Alfragide (2009), Go-Between, Kleines Kabinett, Lisboa (2006), Deux Artistes en Dialogue, Galerie Ellecnite, Paris (2005) e colectivas como Tiresias - Vídeos de Artistas Made In Portugal, C. C. de España, Montevideo - Uruguai (2010), In Connection, Pav. 28 / Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (2009), No Connection, MNHN / Sala do Veado, (2008), Objecto: Simulacro, Hospital Júlio de Matos / Pav. 24 (2007), Stigmata, MNHN / Sala do Veado, (2007), Interpretações, Museu da Cidade / Pavilhão Preto (2006) todas em Lisboa e Videomix, La Casa Encendida, Madrid (2006).
Participou e colaborou em publicações como Magnética, Op., Número e Ópio. Foi membro do Grupo 21 ½ : Plataforma Independente de Transgressão Artística (prod./org. exp.) e do Grupo Zart21 (prod./org. exp.). Foi fundador e Editor Revista Base + Base Recordings e da Revista Número.

http://www.romaobras.tumblr.com

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